O Globo - 03/08/2008

 
 



Infovalorização - Salários na área de informática estão até três vezes acima do piso regional.


Rodrigo March

O mercado para profissionais da área de informática está superaquecido. É o que revela pesquisa do Sindicato das Empresas de Informática do Estado do Rio de Janeiro (Seprorj). O levantamento, feito anualmente, constatou que os salários estão acima dos pisos fixados nas convenções coletivas. Este ano, pela primeira vez, o reajuste dos salários (de 9%) ficou acima da inflação do período (4%) e do reajuste do piso (5%).

Para se ter uma idéia do setor hoje, o piso do técnico de informática é de R$ 617, mas o menor salário encontrado no estado foi de R$ 1.074,32 (74% maior). Na média das 52 empresas pesquisa- das, o valor pago é o dobro do piso - R$ 1.244,35. No caso de analistas de sistemas, a menor remuneração - R$ 3.418,72 - equivale a três vezes o piso de R$ 944. A média salarial é de R$ 3.704,08. Atualmente, o posto mais valorizado no meio é o de gerente de projetos, que recebe R$ 5.943,66.

Surgem 2 novas funções no setor

Mas o mercado também está mais exigente. Prova disso são duas funções que começam a surgir no quadro de funcionários das empresas: o analista de qualidade, que acompanha todas as etapas de desenvolvimento de um software, e o analista de testes, que testa o programa. O objetivo de ambos é evitar o retrabalho.

Para dar conta do crescimento, a MPL teve que recrutar pessoal. Tiago Candeco é um dos recém-contratados. Ele atua como analista desenvolvedor, profissional que desenvolve novas aplicações para um sistema, de acordo com a demanda dos usuários:

- Na minha especialidade (sistema J.D. Edwards), há poucos profissionais no mercado. Acabo viajando muito.

Além do aquecimento do setor, a falta de InvestImento em recursos humanos explica as altas remunerações - 82% das empresas não têm programas de treinamento, e 63% não contam com um departamento de RH, diz o presidente do Seprorj, Benito Paret. Ele lamenta que as empresas do setor não tenham um planejamento educacional para seus quadros:

- O mercado está aquecido, mas não está investindo na formação de recursos humanos, o que acaba tornando o ciclo de desenvolvimento negativo, no fim das contas. Se você não investe em recursos humanos, tem sempre que ir ao mercado buscar profissionais prontos, o que eleva os salários. As empresas têm uma política muito imediatista. Elas pagam cursos por solicitação do empregado.

Para Rafaela Alexandre, gerente de RH da Drive Consultoria e Informática, esse mercado está amadurecendo.

- Antigamente, 99% das empresas do setor não tinham RH. Eu mesma fui contratada, no fim do ano passado, com o objetivo de implantar aqui um departamento estratégico, que nos levasse à retenção de talentos - destaca Rafaela, acrescentando que, na Drive, o desafio do treinamento é maior, pois a empresa lida com um sistema voltado para o mercado financeiro. - O funcionário leva até dois anos para se ambientar. Por isso, contratamos um consultor financeiro.

Na Stone Age Tech, ainda não há um departamento de RH estruturado. A empresa existe há dois anos e tem 36 funcionários. Responsável pela área, Taian Haraguchi diz que a firma espera uma postura pró-ativa do funcionário em relação à sua formação.

- Arcamos com 100% dos cursos de extensão e 70% das pós-graduações, mas isso depende multo do Interesse de cada um - explica Haraguchi.

Menos impostos e mais capacitação

Fabio Binder, coordenador pedagógico do Instituto Infnet, acha que a carência de mão-de-obra é causada justamente pela falta de Interesse do jovem na ciência da computação, curso de ensino superior. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), a relação candidato/vaga caiu simplesmente à metade de 2000 para 2007.

- Esse é um fenômeno mundial. A profissão perdeu um pouco do glamour. Tem que estudar e trabalhar muito, inclusive de madrugada. O resultado é que as empresas acabam contratando pessoas com menos experiência do que gostariam - diz Binder.

O governo aposta no setor. Segundo a política industrial, lançada, em março, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as empresas de tecnologia da Informação ganharam desconto de um ponto percentual na contribuição para o INSS a cada 10% do faturamento vindo de exportações. Mas, como contrapartida, terão de capacitar pessoal.

Profissões em alta

O que fazer: Entre as funções que podem ser exercidas no setor estão: administrador de redes, analistas de qualidade, de testes, de sistemas e de suporte, gerentes de projetos e de TI, programador, técnico de informática e webdesigner. A média salarial varia entre R$ 1.244,35 (para técnicos) e R$ 5.943,66 (gerente de projetos).

A rotina: Segundo profissionais da área, esse meio requer muito estudo e concentração. É comum trabalhar fora do expediente, já que os serviços de manutenção não podem ser realizados com as pessoas trabalhando.

Fonte: Jornal O Globo – Domingo, 03 de agosto de 2008, Caderno Boa Chance, Página 1

 

 
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